Thursday, July 09, 2009
Acontece que a poesia não rasteja
Sobrevoa
Observa, longealada
Meu nariz riscar o chão.
Acontece que a poesia não rasteja
Sobrevoa
Observa, longealada
Meu nariz riscar o chão.
Posted by Fernando Belo at 12:03 AM 1 comments Links to this post
Eu não sei
Se é a dor que não se faz passar
Ou se é o medo que me faz pensar
Melhor eu sigo se eu ficar aqui.
Não
Já digo não
Não traga as minhas frases preferidas
Não cante a solidão
Não rabisque meus ouvidos
Eu sei que a chuva cai
Eu sei que a nuvem vem ficar de vez
Pra onde eu corro, cai
E a fuga, nessa água, se desfez
Eu pensei
Que eu teria um lugar pra ficar
Mas não sabia que esse tal lugar
Se afogaria pra fugir de mim.
Estar sozinho dói
Sobrou-me a Ilha de Semaisninguém
Mesmo curando, dói
Pois abandono é o que mais se tem
Sim
Sei que é assim
Sempre disseram pra querer bem pouco
Mas eu não via fim
Pro meu querer atrevido
Hoje eu sei
Que o que me perde é o meu caminhar
Não há mais nada pra se procurar
Melhor eu sigo se eu ficar aqui.
Posted by Fernando Belo at 10:06 AM 4 comments Links to this post
Porque é do mais notório e público saber
que, por mais que outros venham dizer
num excesso de boa fé e de inocência,
não existe (e, perdoe essa certeza
que machuca quando bate mas
ajuda quando se instala e fica)
e, não existindo, traz consigo
uma perda irreparável para
tudo o que for do coração,
não existe a menor nem
a mais remota chance
de um dia se acabar
um romance e por
fim o sujeito que
antes morria de
paixão e arfava
sem razão por
cantos e por
recantos e
disparos
decidir
enfim
se re
apai
xon
ar
.
Posted by Fernando Belo at 3:55 AM 3 comments Links to this post
É que eu sinto raiva passageira
Uma espuma que me enche o peito
Feito a saliva dos meus sonhos ruins
Que se beijam aos despudores
Como amantes, lambuzando o leito.
É um roer no ventre e no abraço
Um cansaço, o impulso de chamar-lhe nomes
Disfarçados em meus versos de querer tão bem.
É uma lama que dilata aos poucos
E me ocupa a mente, inunda ouvidos
Pra depois, na boca, ser areia.
É claro que a amo, mas não é só:
É a saudade de sentir-lhe inteira
Com a vontade de partí-la em cacos.
Posted by Fernando Belo at 3:09 AM 4 comments Links to this post
Quase nunca eu choro
Sempre seco
Seco fora
Água dentro
Gasta do represamento
Feito alma parada
Bóia o meu sentimento
Sinto muito, nada sinto.
Vez em quando em quando
Jogam pedra
Pedra jogam
Água adentro
Causa um leve agitamento
Leve, pouco
Pouco leva
Nada mexe
Nem se agita a alma parva
Pouco lava
Fora a pedra
E o resto que é mais nada.
Posted by Fernando Belo at 9:35 PM 2 comments Links to this post
Vem pra cá
Distante não faz calor
Tão longe estás, amor
Tão longe de se tocar
Traz pra mim
Um pouco de aflição
Arpejo e uma canção
Que eu só sei amar assim
Vou chorar
Prometo me entristecer
Pra ninguém mais me querer
Até ver você chegar
Se no fim
Barulho pra me acordar
Teu choro pra misturar
Na água que sai de mim
Deixe estar
Nunca sei o que dizer
Se você aparecer
Me ocupo em te amar.
Posted by Fernando Belo at 10:34 PM 3 comments Links to this post
Posted by Fernando Belo at 10:07 PM 2 comments Links to this post